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Entender

Entender

(Retalhos do Quotidiano)

olhar-no-espelhoA gente nunca aprende suficientemente na vida. Penso, porém, estar aprendendo, aos poucos e não sem dificuldade, uma lição do quotidiano: para entender as outras pessoas e a mim mesmo, não basta prestar atenção às palavras que se dizem ou até a gestos que se fazem; é preciso captar a mensagem que, muitas vezes, se esconde por detrás das palavras e dos gestos. Não é suficiente o que se diz ou se mostra, é preciso ir além e, no que se diz ou se mostra, perceber o que realmente se quer dizer ou mostrar.

A palavra e o gesto são só mediações, “símbolos”, são apenas “corpo”. No seu interior, de certo modo oculto, está alguém que se diz, se dá ou se recusa a outrem. Entre o que se mostra e o que realmente se deseja “dizer”, há sempre a inadequação entre o “símbolo” e o “simbolizado”. É sempre perigoso aplicar lógica rigorosa ao que aparece. Muitas vezes o que se diz é justamente o contrário do que se quer dizer, ou, pelo menos, não é tudo nem exatamente. Por isso, o “Pequeno Príncipe” dizia que “a linguagem é uma fonte de mal entendidos”.

Tantas vezes, nos propósitos, nos arroubos de generosidade, nos palavrões de ira, frequentemente, não é ali que está o “conteúdo”, são apenas expressões de alguma situação humana intima que nos escapa. Quem sabe, não importa tanto o que se ouve ou se vê, importa sobretudo por que aquela pessoa esteja se exprimindo daquela maneira.

Sempre será um risco julgar as pessoas só a partir de seus gestos ou palavras. Há situações em que suas palavras ou gestos estão em contradição com o que há pouco mostraram ou disseram… Ficamos surpresos(as), por permanecer na superfície, em gestos ou palavras,  “sinais exteriores” que nem sempre – e tantas vezes – deixam ver o que se esconde na vivência da outra pessoa. Esquecemos facilmente que há um núcleo íntimo que nem sempre é capaz de se manifestar ou de ser percebido… Perdemos a sensibilidade para perceber que palavra e gesto são só meios (quantas vezes ambíguos), símbolo, corpo, veículos daquilo que a poesia se acostumou a chamar de “alma”.

1968 (sem data)

About Sebastião Armando (176 Articles)
<p>Nascido em São Miguel dos Campos, Alagoas, de família cristã, terceiro de cinco filhos, Dom Sebastião Armando Gameleira Soares fez seus estudos secundários no Seminário Metropolitano de Maceió e estudos de Filosofia no Seminário de Olinda, Pernambuco. Obteve o bacharelado e o mestrado em Teologia na Universidade Gregoriana, de Roma, com dissertação sobre Santo Anselmo, Arcebispo de Cantuária. Obteve também o mestrado em Ciências Bíblicas, no Instituto Bíblico, de Roma, com dissertações sobre o Livro dos Salmos e o Livro de Isaías, e o mestrado em Filosofia na Universidade Lateranense, de Roma, com dissertação sobre a obra do filósofo brasileiro Henrique de Lima Vaz. Ainda em Roma, fez Especialização em Sociologia, na Universidade dos Estudos Sociais, com trabalho sobre a obra de Gilber<br /> to Freyre. É também bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Olinda.No Nordeste, por vários anos, foi professor do Instituto de Teologia do Recife-ITER, do qual foi também Diretor de Estudos. Foi assessor membro da equipe do Departamento de Pesquisa e Assessoria-DEPA para formação teológica. Foi assessor da CNBB e da CRB do Nordeste II. É membro do Centro de Estudos Bíblicos-CEBI, do qual foi diretor nacional e coordenador do Programa de Formação. Foi ordenado presbítero na Comunhão Anglicana em 1997, já sendo professor e reitor do Seminário Anglicano no Recife. Em 1998 participou da Conferência de Lambeth, encontro mundial do episcopado anglicano, em Cantuária, na Inglaterra, como membro da equipe de assessoria no tema “Evangelização”, convidado pelo Arcebispo de Cantuária, por indicação dos Bispos do Brasil. Foi eleito bispo no ano 2000 para a Diocese Anglicana de Pelotas-RS, e em 2006 eleito para a Diocese Anglicana do Recife (Região Nordeste). Em 2008, voltou a participar da Conferência de Lambeth, dessa vez já como bispo. Tornou-se emérito em dezembro de 2013. É casado há 42 anos com Maria Madalena, também alagoana. assistente social, com quem tem três filhas e um filho. Hoje se dedica particularmente ao Ministério da Palavra (estudos bíblicos e teológicos, em especial Leitura Popular da Bíblia, Anglicanismo, Escolas de Fé e Política, e Espiritualidade) em fronteira ecumênica, e junto com Madalena coordena um projeto social (“Casa Ecumênica – Crer & Ser”) com crianças e suas famílias, no Alto do Moura, em Caruaru-Pernambuco, Brasil.</p>