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Quase-Poemas

Travessia

14/10/2015

Com espanto vi um homem a correr desesperadamente olhos esbugalhados dum lado a outro… qual guerreiro pronto a atacar ou ligeiro a defender-se, urgência de vida ou de morte? Não, absurdamente, só para atravessar a avenida. Vale a pena tanta pressa tanta energia e risco em vida tão curta [Continue lendo]

Padre José Comblin, Padre Comblin, Padre José, Padre Zé

14/10/2015

(Em memória de José Comblin, profeta entre nós, com gratidão e saudade) Pobre, empobrecido até no nome de estranho feito nosso sem qualquer sinal de poder clerical: restavam só os paramentos da missa em antigas lembranças um retrato de paletó e gravata preta em qualquer parte de calça, [Continue lendo]

“… E era noite” (Jo 13, 28-30)

30/09/2015

O negro véu da noite ao cair nos envolvia em trevas que ainda mais escuras pareciam, sombras contra as luzes da cidade. Ao cruzar as vias o sinal luminoso indicava caminhos diferentes que se cruzam. De repente inesperada visão de crianças irmãos no sangue e na sina saídas da noite quais anjos [Continue lendo]

“Eu Me Soltaria Se Fosse Deus”

09/09/2015

Dom Helder não consegue entender “um Espírito Santo amarrado a sete sacramentos e incapaz de agir diretamente sobre as almas”. E exclama: “Eu me soltaria se fosse Deus, quanto mais Aquele que é infinitamente mais compreensivo, mais largo e mais bondoso!” Isto ao reler na Missa: “O [Continue lendo]

Estrelas e flores

27/08/2015

A vida é um belo jardim, quanto mais se planta, mais se colhe. Também a vida tem as quatro estações: o inverno é necessário para a semente da terra brotar, crescer com todo esplendor na primavera, no verão amadurecer, e no outono os frutos são colhidos. Por que ter inveja e ofuscar as [Continue lendo]

“Voz De Suave Silêncio” (1Rs 19, 12)

20/08/2015

Da noite saímos em busca do Sol que pouco a pouco espantava as trevas dissolvia a neblina que de longe parecia lagos azulados. O “Preguiça” não corre, desliza calmamente por entre verdes margens empurrado pelo mar por entre manchas d’água escuras, espessas como feitas d’óleo extraído [Continue lendo]

Raiz Comum

13/08/2015

É certo: sair de si correr mundo buscar por aí abraçar outros corpos… alarga o próprio corpo e nos acerca da Totalidade. Irrecusável porém a certeza: o íntimo das coisas se dá no íntimo de si “a realidade” é sobretudo interior: paisagens, rostos, sons… a música até já [Continue lendo]

Na Torrente da Graça

06/08/2015

Maravilhoso espetáculo! Lá no alto as “grandes águas” ligeiras na pressa da correnteza o azul escuro quase negro a desfazer-se no branco d’espumas ao jogar-se por entre as pedras. De repente da placidez d’águas correntes o desabar violento das cataratas a quebrar-se imperturbáveis [Continue lendo]

O Drama

23/07/2015

Da ponte do Capibaribe de Narciso espelho surgindo suja das águas sujas a tua imagem. Vida é palco viver é representar e de uma a outra e ainda outra e mais outra re-pre-sen-ta-ção. E a tua verdade existencial? Se o que foste já não és ainda não és o que serás és em ti e em outrem algo [Continue lendo]

O Beijo da Terra e do Sol nas Terras do Araguaia

16/07/2015

Já não achando mata pra se esconder e abrigar-se na noite mergulhava sua bola luminosa nas águas do rio. (No começo duvidei se era mesmo água ou se a camada branca de nuvens mais baixas, mais adiante era claro:) Era o rio (qual deles?) Largo como mar corria no sentido do comprimento que o mar [Continue lendo]

“Descalço sobre a Terra Vermelha”

16/07/2015

DEDICATÓRIA Ao nosso irmão Dom Pedro, querido e venerável “archegón” (“cabeça de fila”: Hb 12, 2) da romaria multidão em procissão de confessores e confessoras da fé, testemunhas (“mártyres”) que sentem na carne seu sangue recolhido gota a gota no Cálice da Ceia cada dia na [Continue lendo]

O Essencial

25/06/2015

“Como se visse o Invisível caminhava Moisés”. A beleza mais plena se oculta, o amor é segredo e só no secreto — que paradoxo! – se revela. O fora é só pálido reflexo, sinal apenas do brilho que se esconde no seio das coisas. Não é o pão da terra mero penhor do pão do céu? [Continue lendo]

Como Gota no Oceano

18/06/2015

Qual simples gota no Oceano infinito, em Ti “nos movemos, existimos e somos”. Não seria menor o mar profundo sem as gotas que nele se dissolvem? Fora dele quase nada, a simples sopro se desmancham… Só nele dissolvidas já não mais em si são parte invisível do milagre de águas sem [Continue lendo]

Somos o que fomos.

28/05/2015

  A vida corre feito animal veloz, ligeira de pés, impossível deter, domar, montar. O presente feito líquido escorre sem parar, por imprevistos cursos: correntes subterrâneas, monótonas planícies na lentidão de águas calmas, ribanceira abaixo em fragor de cataratas, ondas bravias em [Continue lendo]

No caminho.

21/05/2015

Ah, quão difícil caminhar! Ainda mais difícil parar… Como, então, prosseguir se as forças parecem faltar? Se “não há caminho, o caminho se faz ao andar”, que caminho tomar? Na encruzilhada como prosseguir para avançar? Tal qual a vida, imenso mar de águas profundas, azul escuro [Continue lendo]

“Eppur si muove”

14/05/2015

  No solene imóvel tribunal do fundo d’um abismo de angústia e dor irrequieto murmurava o pobre Galileu: “Eppur si muove”. Tudo se move no universo tudo é energia, incessante andar, contra toda aparência das coisas sólidas, imóveis, contra toda idéia imutável e todos os juízes [Continue lendo]

Crianças na calçada.

30/04/2015

O ônibus corria sem parar e os automóveis em louca pressa mostravam ao sol a correria da cidade sem parar. Na calçada dois meninos dormiam (e eram brancos, o que dizer dos negros?) indiferentes jogados no chão em frente da loja fechada, na doce cama de papelão. A luz do dia servia pra deixar [Continue lendo]

Ressurreição.

23/04/2015

(Inspirado no capítulo 20 do evangelho segundo São João e dedicado ao Sodalício do Altar da Catedral do Redentor, Diocese Anglicana de Pelotas, por ocasião do Festival de Flores, 2003) (*) De pedra era o sepulcro, morada da morte e do vazio. Do lado de fora, no jardim, a mulher chora. De [Continue lendo]

A Dom Pedro, às vésperas da Páscoa.

09/04/2015

(Quase-poema para Dom Pedro Casaldáliga, irmão e pai, de fé ecumênica, herói, confessor da fé, nas terras significativamente vermelhas das margens do Araguaia)   Pedro, terra firme em margens que se movem, serena placidez de pedra bem assentada, rochedo inexpugnável incrustado nas areias [Continue lendo]
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